Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

E ela respondeu:

"Fica tranquila que estudar nunca é demais. O único lado ruim de aprender mucha teoria é que vc pode ficar presa demais a ela e isso não te deixa tão livre pra criar, mas normalmente é uma fase. Logo você interioriza o que presta da teoria, joga fora o que não te ajuda. É um processo bem pessoal, mas é bom conhecer todas as ferramentas pra saber quais te ajudam particularmente e quais te atrapalham.

Lá na EICTV, na minha sala, por exemplo, cada um escrevia de uma forma: um fazia primeiro o argumento e depois o roteiro - o Eliseu defende muito isso, ter essa base sólida pra depois o roteiro sair rápido, senão é perda de tempo. Ele diz que é mto mais fácil cortar/mudar no argumento do que já no roteiro iniciado, e eu concordo.

Depois que essas ferramentas estão bem entendidas e interiorizadas, já não fica tudo tão frio e racional. Mas acho normal no começo essas ferramentas darem uma "prendida", deixarem o texto mais "quadrado", certinho, preocupado com a forma.

Lá eles defendem o que todo professor de literatura defende: não se ensina a ter boas idéias ou escrever bons roteiros no sentido criativo, mas se ensina a escrever um roteiro eficiente e que funcione, isso sim. Pode-se ensinar a ter maior controle sobre o processo criativo, inspirando-se na maneira de outros roteiristas escreverem, conhecendo técnicas e "macetes" que te ajudam sobretudo em momentos de bloqueio criativo.

Isso que eu achei que me ajudou, no estudar roteiro: estar mais consciente no meu processo de escrita. Não saio dando tiro pra tudo quanto é lado, a não ser no início. Sempre defenderam isso lá: no início, na hora de ter idéias, é brainstorm, mesmo. Sem limites, sem regras. Depois é que vc recolhe aquele material e aplica um pouco de teoria pra organizar aquilo, direcionar. Saber a teoria me ajudou, por exemplo, a saber selecionar o que me ajuda e o que não me ajuda a contar a história que quero. Sabe? Focar.

Mas, dos dois anos que fiquei lá, realmente a teoria, teoria mesmo eu poderia resumir (o principal, o que realmente me serviu) em no máximo duas páginas de word. O que conta é aplicar isso na prática, e, quanto mais escrevemos, melhor ficamos, isso é claro, óbvio, percebe-se a evolução logo. E normalmente nesses cursos no exterior, isolados, vc tem um tempo pra escrever que aqui no Brasil não teria.

O Jornada do Escritor é bacana, apesar de repetitivo. O cara martela o mesmo tema umas três vezes ao longo do livro. Outro bacanérrimo é "El Guión", que tá contigo. Esse já li e reli. Foi dele que tirei uma dica bacanérrima: as histórias são EMOCIONAIS, não RACIONAIS. Se o conflito do personagem é algo com o trabalho dele, tente buscar algo emocional (exemplo: a namorada abandonada pq o cara só se preocupa com o trabalho), pois é essa a história que vai pegar o espectador e que ele vai acompanhar, se identificar. Não é racional.

(...)

É isso aí, Estrelita, tem que buscar por fora, mesmo. Não se preocupe com esses profes, estudar nunca é demais, nunca é inútil. Eles falam isso pra vc não colocar demais na mão deles a responsa por aprender a escrever. Realmente, escrever se aprende escrevendo, mas quando vc tem conhecimentos e ferramentas extras esse escrever se torna mais consciente, vc vai aprendendo a ver seus erros para não repeti-los.

Espero ter ajudado. Qquer coisa, grita."

1 comentários:

claudio disse...

Os convido a visitar o meu blog onde poderão encontrar os meus últimos trabalhos em arte. O endereço e o seguinte:

www.claudiotomassini.blogspot.com

Atenciosamente, Claudio Tomassini